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Mulher e o tempo: entre a escolha e a maturidade


Muitas vezes, a sociedade trata o tempo da mulher como um cronômetro que corre contra ela, um tique-taque insistente que parece ditar o prazo de validade das nossas escolhas. Mas e se olharmos para o tempo não como um vilão, mas como um aliado da nossa autonomia? Quando paramos de correr contra o relógio, começamos a escutar o que realmente pulsa aqui dentro.


De um lado, temos a mulher que, ao mergulhar em si mesma e silenciar os ruídos externos, percebe que o tão falado "instinto materno" nunca floresceu. E está tudo bem. É um ato de coragem e profundo autoconhecimento entender que a maternidade não é um destino obrigatório, mas um caminho entre tantos outros. Escolher conscientemente não ter filhos é reafirmar que a nossa existência já é completa por si só, e que o nosso legado no mundo pode ser escrito através de projetos, afetos e sonhos que não passam pela reprodução.


Do outro lado, encontramos a mulher que vê o seu desejo de maternar florescer mais tarde, por volta dos 40 anos. Se por um lado o corpo traz novos limites, por outro, a alma traz uma bagagem que os 20 anos desconheciam. Essa gestação chega em um terreno mais firme: há uma estabilidade emocional, uma carreira mais consolidada e, principalmente, uma clareza maior sobre quem se é. Maternar na maturidade é poder oferecer ao filho uma presença mais serena, menos ansiosa e muito mais consciente das próprias sombras e luzes.


Seja para dizer um "não" definitivo ou um "agora sim" tardio, o ponto central aqui é a liberdade. Não existe uma fôrma única para a realização feminina e não deveríamos nos sentir "em falta" por não seguir o cronograma esperado.


Ser mulher é um universo vasto, e a beleza está em poder decidir se — e quando — a maternidade fará parte da sua história, trocando o peso da culpa e das expectativas alheias pela leveza de ser dona do próprio tempo.


Indicações para ampliar o olhar sobre o tema..


Para ler:  Maternidade. Sheila Heti. Sabe aquele diálogo interno, cheio de dúvidas, que muitas mulheres têm ao chegar perto dos 40? Esse livro é exatamente isso. A autora escreve quase como se estivesse conversando com o espelho, pesando os ganhos e as perdas de se tornar (ou não) mãe. É uma leitura honesta que ajuda a gente a entender que a dúvida não é um erro, mas parte da nossa construção como mulheres. É um convite para olhar para a nossa própria ambivalência sem medo. Este livro foi indicação de uma seguidora nossa.


Para assistir: A Filha Perdida (Filme, Netflix).

É um drama psicológico fascinante e nada "cor-de-rosa". Ele mergulha na ambivalência de uma mulher que ama suas filhas, mas que também sente o peso esmagador da maternidade. É excelente para refletirmos que a maternidade não é um mar de rosas para todas e que o desejo nem sempre é linear. Este filme é baseado no livro de mesmo nome da maravilhosa, Elena Ferrante. Com carinho, Trícia Ferreira 🌻🫂✨ Psicóloga Clínica (CRP 10/02488) @triciaferreirapsi


 
 
 

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