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Ansiedade: uma visão gestáltica

  • O que é a ansiedade?

A ansiedade é uma emoção natural, inerente à existência humana; é uma excitação que flui no organismo e se manifesta através de diversos comportamentos ao ser interrompida. Também pode ser considerada como a antecipação de uma ameaça futura, real ou imaginada.



  • Alguns sinais característicos:

  1. Apetite desregulado;

  2. Alterações de sono;

  3. Tensão Muscular;

  4. Preocupações em excesso;

  5. Inquietação constante;

  6. Sintomas físicos;

  7. Pensamentos obsessivos


  • Ansiedade, saúde e doença

Para Perls (1977), a ansiedade é o vazio entre o agora e o depois, uma excitação que flui no organismo e que se manifesta através de diversos comportamentos ao ser interrompida. Nesse sentido, sentimo-nos ansiosos ao abandonar a base segura do aqui e agora e ir em direção ao futuro por meio de fantasias, imaginações, pensamentos...


Sendo uma emoção surge em função daquilo que que estamos vivendo no momento e, é por meio das emoções que nos tornamos conscientes da adequação de nossas preocupações e da maneira como o mundo é para nós.


A natureza, dentro ou fora do homem, é equilíbrio e harmonia. Qualquer perturbação nesse equilíbrio é a doença (GANGUILHEM, 2009, p.12).

A todo momento estamos buscando satisfazer necessidades fundamentais para o nosso crescimento e desenvolvimento. Esse é o processo pelo qual se pode alcançar a nossa preservação e, consequentemente, nossa saúde. Uma interrupção nesse processo leva à doença.

A doença seria o desequilíbrio ocasionado pela não-satisfação de algumas necessidades. Entretanto, é uma forma de se ajustar às circunstâncias do momento vivido.


A doença não é somente desequilíbrio ou desarmonia; ela é também, e talvez sobretudo, o esforço que a natureza exerce no homem para obter um novo equilíbrio [...] o organismo desenvolve uma doença para se curar (GANGUILHEM, 2009, p.12-13).

Nesse sentido, a ansiedade é vista como um modo de se adaptar, uma forma de se organizar diante das demandas do meio e das necessidades prioritárias de cada indivíduo. Sua manifestação aponta para aquilo que é único, singular em cada um de nós.


Para entendermos a ansiedade que sentimos, precisamos olhar para as relações que estabelecemos com o mundo, com o outro e, sobretudo, com nós mesmos.


  • A ansiedade na psicoterpia gestáltica


Na clínica gestáltica, buscamos compreender como a ansiedade aparece e como é vivida pelo clíente em seu cotidiano. Diferentemente do modelo clássico de psicopatologia que vê a ansiedade como um mal a ser extirpardo, entendo a ansiedade como um impulso que nos motiva à mudanças.


Essa perspectiva permite entender que as vivências de ansiedade, mesmo que muito dolorosas, são uma oportunidade para que o cliente cresça por meio do contato com questões que ele tem, até então, evitado.


É comum em nossa cultura, que teme o sofrimento, que cada vez mais pessoas preferem se anestesiar (ignorar os sentimentos) a buscar em si e em seu ambiente os suportes necessários para lidar com suas questões.

Por causa dessa atitude fóbica, evitando a tomada de consciência, evitamos muitas partes de nós mesmos que tem sido alienado, "jogado fora" como diria Fritz Perls.


O trabalho como terapeuta é fazer com que o cliente reassuma essa sua parte alienada, expresse essa emoção da forma como a sente, buscando e descobrindo em si o autossuporte necessário para sustentar sua própria experiência, visando o sentido de todos os seus comportamentos para que, uma vez identificados, possa ressignificá-los.


Se seus sentidos estiverem preparados, e seus olhos e ouvidos abertos, como em toda criança pequena, você achará a solução (PERLS, 1977. p. 16).


Texto escrito por Fernando Santos, psicólogo CRP-10/07652


Bacharel e licenciado em Psicologia pela Escola Superior da Amazônia

Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta

Membro do Grupo de Estudos em Gestalt-Terapia (GEGT Belém)